Masculinidades, no plural. Estamos prontos?

Vamos voltar ao núcleo da série de textos que tenho publicado sobre as masculinidades. Existe um motivo relevante para escrever esse conceito no plural: há tempos é aceito por boa parte da academia que não falamos de uma, senão de várias masculinidades. Outro ponto importante é entender que masculinidades são conceitos, e não pessoas em si.

Os conceitos sobre as masculinidades sintetizam e representam – portanto promovem – formas de entender e praticar, ou seja, viver, as masculinidades nos corpos que se identifiquem com elas e no imaginário de quem se relaciona com elas. Por isso a importância de conhecê-las. Sigo a linha que entende que o gênero se faz na relação e menos como algo fixo e predeterminado.

+ Masculinidade e (é) poder

A importância de aceitarmos que as masculinidades são várias se deve ao fato de que isso alarga as possibilidades de viver essa experiência. Sai o modelo fixo e limitado, dando lugar a outras variações tão relevantes como válidas. Quando saímos de modelos fixos, conseguimos enxergar nuances, variações, como galhos de uma mesma árvore que, por mais curvas e distância que tenham do tronco principal – aqui representando a ideia antiga do modelo fixo –, são tão parte da árvore como qualquer outro.

Conviver com essa diversidade de possibilidades sem vê-las como menores ou, muito menos, erradas é estar no mundo contemporâneo como ele está posto: amplo e diverso. Ter dificuldade com essa diversidade para mim denota, além da limitação que compõe tudo que é fixo e restrito, o medo de estar em desacordo – busca de aceitação, como escrevi no post anterior – e a dificuldade em lidar com o desajuste que os tempos contemporâneos têm trazido.

+ Poder traz liberdade? Depende se é poder sobre ou poder para.

O caminho da tranquilidade pode vir da consciência de que o nosso modo de viver e praticar ou se relacionar com a masculinidade escolhida é nosso, e não precisa ser do outro. E isso deveria ser suficiente. Com essa tranquilidade – que tampouco é fixa –, podemos fazer escolhas que estejam de acordo com o que acreditamos e sentimos e diminuir a nossa crítica ou reprovação a outras formas de manifestação de masculinidade. Quanto mais amplo, mais liberdade, não é mesmo?

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